Congresso Aço Brasil debate impactos da IA e agenda ESG
Assessoria de Imprensa Instituto Aço Brasil
São Paulo – A 36ª edição do Congresso Aço Brasil, aberta nesta terça-feira (29), no Transamérica Expo Center, para discutir os rumos do comércio internacional e seus reflexos sobre a indústria do aço, também reuniu, na Arena do Aço, espaço paralelo de debates, executivos e especialistas que debateram sustentabilidade, inovação e inteligência artificial.
Na palestra “Inteligência Artificial”, ministrada por David Dias, sócio da EY e líder de Inteligência Artificial, foram abordados os impactos da IA e da automação no mercado de trabalho. O executivo alertou para mudanças relevantes nos empregos nos próximos anos.
“A indústria vai chegar a uma hiper automação. A partir de 2035, teremos choques de emprego por conta disso. Precisamos revisar o modelo econômico urgentemente e, para isso, fazer uma mudança significativa no modelo econômico tradicional. É necessária uma reinvenção do contrato social. Alguns mercados, por exemplo, já discutem a adoção de uma jornada de três dias de trabalho”, afirmou.
O que mantém o Vale do Silício inovando
Ioná Szkurnik, fundadora e CEO da Education Journey, abordou o que faz o Vale do Silício continuar sendo referência em inovação. Ela lembrou que a região passou por sucessivas ondas, de semicondutores, computadores, internet e mobile, chegando agora na inteligência artificial. Todas foram questionadas no início e, hoje, é difícil imaginar o mundo sem elas.
Para Ioná, o momento atual é de disrupção e de mudança de paradigma, e o diferencial do Vale está menos nos atores isolados e mais nas interfaces entre eles, o que inclui a integração entre gerações. Ela apresentou o método da d.school, escola de design de Stanford, baseado em hipótese, protótipo, teste, evidência e escala, e defendeu que essas práticas podem ser aplicadas à indústria e aos mais diversos setores da economia.
Como exemplo, citou a Nvidia, destacando que a empresa simplesmente achou um novo uso para o que já sabia fazer. “Nos anos 1990, a Nvidia criou um chip para videogames que deixava os jogos mais bonitos, graças à capacidade de realizar milhares de cálculos ao mesmo tempo. Hoje, esse mesmo tipo de chip move a inteligência artificial”.
A palestrante afirmou que o cenário é de “incerteza radical” e que, diante dele, a questão não é ter preparo, mas prontidão, já que não é possível se preparar para futuros que ainda não conseguimos descrever. Defendeu ainda que a tecnologia seja vista como extensão da capacidade humana e que a IA agora alcança o próprio julgamento. Por isso, sua aplicação precisa ser cognitiva, o que exige reorganizar processos e desenvolver a capacidade de se reorganizar.
Agenda ESG traz ‘retorno de longo prazo’
Danilo Maeda, diretor-geral da Beon, abriu sua apresentação definindo sustentabilidade como “nutrir o futuro”. Segundo ele, decisões conscientes não evitam problemas, mas preparam as organizações para o que vem pela frente.
Diante do questionamento sobre se o ESG teria perdido força (“Essa moda já passou?”), Maeda destacou que a agenda consiste na adoção de boas práticas para gerar “retorno de longo prazo”. Lembrou que o ESG nunca se propôs a “salvar o mundo”, mas a preservá-lo. Um dos desafios, apontou, é a ausência de indicadores padronizados, o que dificulta a comparação entre empresas e torna a avaliação injusta.
Para o executivo, os principais riscos globais estão ligados à agenda ESG, com predominância de temas socioambientais. “Pensar continuidade é pensar ESG”, disse. Ele afirmou que o mercado já compreende que risco ESG é risco de negócio e que a alocação de recursos em fundos sustentáveis segue relevante, ainda que em ritmo mais lento.
Maeda afirmou que empresas com boas práticas mantêm, no longo prazo, resultados superiores aos de investimentos tradicionais. Fez uma analogia com a saúde, assim como hábitos saudáveis trazem benefícios ao longo da vida, boas estratégias de sustentabilidade ajudam a enfrentar adversidades. “Investir na gestão dos aspectos ESG reduz a exposição a riscos e traz retornos como menor custo de capital e atração de investidores”.
Ao defender o papel central da liderança, questionou quem, dentro das organizações, fala pelo futuro. “Pensar a sustentabilidade corporativa é adotar uma estratégia consistente, que começa pela definição da materialidade e dos compromissos ESG, passa pela avaliação do grau de maturidade da empresa e, só então, chega ao estabelecimento da agenda”. Ao encerrar, Maeda afirmou acreditar em um futuro em que a sustentabilidade estará cada vez mais integrada aos negócios e à vida.
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