1º painel do Congresso Aço Brasil debateu desafios do setor do aço frente às tensões do comércio global

29/08/2025 | Assessoria de Imprensa Aço Brasil

Especialistas discutiram no Hotel Unique, em São Paulo, os impactos da geopolítica, da guerra tarifária e da fragmentação do sistema multilateral de comércio, em painel moderado por André B. Gerdau Johannpeter

São Paulo - O 1º painel da 35ª edição do Congresso Aço Brasil, realizado na terça-feira, 26, no Hotel Unique, reuniu autoridades e analistas para discutir os rumos do comércio internacional e seus reflexos sobre a indústria do aço brasileira. Sob o tema “Aço - Os Novos Desafios do Comércio Global: Fronteiras e Estratégias”, o debate foi moderado por André B. Gerdau Johannpeter, Presidente do Conselho Diretor do Aço Brasil e do Conselho de Administração da Gerdau. Participaram como convidados especiais Maurício Lyrio, Secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores, e Christopher Garman, diretor para a América da Consultoria Eurasia.

André Johannpeter ressaltou a necessidade urgente de o setor e o governo avaliarem estratégias conjuntas para conter a forte pressão das importações. “É um dos anos mais conturbados das últimas décadas, marcado por conflitos geopolíticos, guerra comercial e importações em níveis nunca vistos. Precisamos de diálogo e de defesa firme da nossa indústria, que é estratégica para o desenvolvimento do Brasil.”

O embaixador Maurício Lyrio enfatizou em sua fala a gravidade do momento atual, informando que, em mais de 30 anos dedicados à política comercial, nunca viu um período tão crítico quanto o atual, tanto pela crise do comércio internacional quanto pelo enfraquecimento do multilateralismo. “Vivemos um ambiente de incerteza, mas acreditamos que toda crise traz também oportunidades”, afirmou.

O embaixador abordou ainda a atuação da Organização Mundial do Comércio (OMC), cujo mecanismo de solução de controvérsias foi decisivo no passado para vitórias brasileiras em contenciosos do setor agrícola e industrial. “O sistema não era perfeito, mas foi a base de conquistas que fortaleceram o Brasil. Casos como o do algodão, açúcar e aviação demonstram a importância das regras multilaterais. Não podemos correr risco de retroceder a um ambiente em que países mais fortes arrancam concessões específicas em países em situação de maior fragilidade”.

Sobre a estratégia brasileira, o Embaixador lembrou que o Acordo Mercosul-EFTA deve ser assinado em dezembro, durante reunião pública em Brasília, e que há negociações em curso com Canadá, Japão e Reino Unido. “O Mercosul-EFTA é fundamental, especialmente pelo acesso a mercados como Suíça e Noruega. Estamos também retomando diálogos com o Canadá, o Japão e, possivelmente, o Reino Unido. O Brasil precisa buscar alternativas que compensem as dificuldades de acesso, sobretudo aos Estados Unidos, que seguem impondo tarifas elevadas.”

A visão da Eurasia: recessão geopolítica e guerra tarifária

Na sequência, Christopher Garman apresentou a visão da Eurasia sobre o cenário internacional, afirmando que estamos vivendo uma verdadeira “recessão geopolítica”, marcada pela sobreposição de crises e pela ascensão de líderes “anti-stablishment”. “Vivemos o que chamamos de policrise: vários choques simultâneos, da guerra comercial entre Estados Unidos e China aos conflitos na Europa e no Oriente Médio. Esse novo ambiente tem impacto direto sobre países emergentes como o Brasil e, naturalmente, sobre setores estratégicos, como o do aço.”

“Estamos provavelmente no pico do nível tarifário. Há chance de exceções do tarifaço a outros produtos brasileiros nos próximos seis a 12 meses, mas o protecionismo veio para ficar. O Brasil precisa aprender a navegar nesse novo normal. A agenda atual dos EUA é a de reindustrializar o país, e isso significa tarifas elevadas, corte de impostos, restrição à imigração e menos regulação”, explicou Garman, acrescentando ainda que o mundo está vivendo um processo de desacoplamento das cadeias globais de suprimento, com os Estados Unidos e a China se enxergando como ameaça e buscando reduzir sua dependência um do outro.

Sobre as oportunidades e riscos ao Brasil, disse considerar que o país tem ativos relevantes, que já é um dos maiores produtores de petróleo e uma potência alimentar global. “Em um mundo preocupado com segurança energética e alimentar, o Brasil tem espaço. Mas terá que enfrentar um cenário de mais protecionismo, inflação, juros altos e custo de capital elevado. Isso exige disciplina na política externa e maior presença internacional do setor privado.”, finaliza o diretor.
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