Monitor do PIB sugere 2º trimestre positivo, mas perto de zero, indica FGV
15/08/2019

Valor Econômico
A economia brasileira cresceu 0,2% no segundo trimestre, na comparação com o primeiro trimestre, segundo leitura do Monitor do PIB, divulgado ontem pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

A alta reverte queda de 0,1% do primeiro trimestre e reflete sinais mais espalhados de reação na atividade entre abril e junho, afirmou Claudio Considera, coordenador da pesquisa. Em relação ao segundo trimestre de 2018, o PIB subiu 0,7%, de acordo com o monitor.

No desempenho mensal calculado pela fundação, o PIB subiu 0,7% em junho ante maio. Em 12 meses, a atividade sobe 0,9% até junho. Mas, para Considera, os resultados não são motivos de comemoração. As taxas, embora positivas, são muito próximas de zero, e sugerem aumento inferior a 1% para o PIB anual de 2019. "Tudo indica que vamos ter crescimento medíocre neste ano", afirmou. Em 2018, a economia cresceu 1,1%.

Os dados da pesquisa indicam, ainda, que o país não está em recessão técnica - dois trimestres seguidos de taxa negativa. No primeiro trimestre, o IBGE anunciou queda de 0,2% no PIB ante o quarto trimestre de 2018. O PIB do segundo trimestre, a ser divulgado em 29 de agosto, deve mostrar aumento, de acordo com os sinais do Monitor, afirmou Considera.

Ao detalhar as razões da alta no PIB na pesquisa da FGV, Considera citou o consumo das famílias, com alta de 2,1% no segundo trimestre ante igual trimestre de 2018. Também a economia de serviços, que representa mais de 60% do PIB, subiu 1,2% na mesma comparação. Outro destaque positivo foi a formação bruta de capital fixo (FBCF), com alta de 4%, devido ao bom desempenho na atividade de máquinas e equipamentos.

Para o especialista, mesmo com as altas, a pesquisa evidencia ritmo fraco na retomada do crescimento da economia. Segundo Considera, é preocupante a ausência de medidas mais proativas, por parte do governo, para reaquecer de forma mais ágil a atividade.

Ele observou que é necessário o trabalho do governo em prover o andamento das reformas, como tem sido feito. No entanto, além de caminhar com as reformas, são necessárias medidas em outros campos, assinalou ele - principalmente que possam levar a uma melhora no mercado de trabalho, frisou.

"Temos hoje quase 13 milhões de desempregados no país. E parece que isso não está preocupando ninguém", afirmou, lembrando que, em julho, o IBGE informou população desocupada de 12,8 milhões até o segundo trimestre. "Empresas não investem forte em cenário de 13 milhões de desempregados, porque sabem que não têm [boa] demanda", comentou.

Na análise do técnico, um aumento inferior a 1% no PIB anual do país, conforme sinalizado pelo monitor da FGV, não é suficiente para aumentar de forma expressiva a renda per capita da população. Ele ressaltou que permanecer nessa faixa de variação do PIB por muito tempo seria "um desastre, uma tragédia" para o país. 

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