Trabalho segue em recuperação gradual, aponta FGV
13/03/2019

Valor Econômico
Dois indicadores de mercado de trabalho divulgados ontem Fundação Getulio Vargas (FGV) mostram cautela por parte do empresariado e ritmo lento de abertura de vagas. O Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) caiu 1,8 ponto entre janeiro e fevereiro, para 99,3 pontos. O Indicador Coincidente de Desemprego (ICD) recuou 2,4 pontos, para 92,1 pontos. A queda levou o índice ao menor patamar desde agosto de 2015 (89,5 pontos) informou Rodolpho Tobler, economista da FGV.

Para ele, a retração do IAEmp representa uma "calibragem" nas expectativas, que estavam em patamar muito elevado em cenário pós eleições presidenciais. Tobler disse que o desempenho dos indicadores sinaliza retomada lenta no mercado de trabalho.

Tobler explicou que historicamente, em começo de ano em novo governo, o empresariado eleva o otimismo "em excesso". Após a euforia, é normal ajuste das expectativas, mais voltado ao que ocorre no momento presente, observou. O especialista lembrou que, em janeiro, o IAEmp subiu 4,1 pontos, alta mais intensa desde novembro (6,2 pontos), logo após a eleição presidencial.

O indicador de Tendência de Negócios do setor de Serviços foi o que mais contribuiu para a baixa do IAEmp, ao cair 7,2 pontos em fevereiro. O mesmo tópico havia subido 8,8 pontos em janeiro.

O ICD havia caído 4,4 pontos em janeiro. Tobler explicou que, em fevereiro, a queda do indicador foi menos espalhada e menos intensa do que a do primeiro mês do ano, principalmente por conta desta "calibragem" de otimismo, observada no mês passado.

O técnico reconheceu que a interpretação dos dois indicadores sugere retomada de mercado de trabalho com cadência mais lenta do que o estimado em projeções no fim do ano passado. Para Tobler, mesmo com a resolução do pleito presidencial, ainda há fatores a se considerar para impulsionar o mercado de trabalho. A condução de política econômica ainda não está clara para o empresariado, notou ele. Ao mesmo tempo, a atividade mostra sinais de melhora, mas ainda tímidos.

"Se tivéssemos uma melhora nesses dois indicadores, de atividade e redução de incerteza em política econômica, os indicadores [de mercado de trabalho] poderiam andar mais rápido, com melhoras mais contundentes", afirmou. Ele observou que os indícios até agora são de que a recuperação da atividade econômica continuará, mas em um ritmo mais gradual - o que também afeta a evolução de mercado de trabalho. 

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