IBC-Br cresceu 1,3% em 2018, estimam analistas
15/02/2019

Valor Econômico
 O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) deve ter encerrado 2018 com o melhor desempenho em cinco anos, mas ainda mostrando um cenário de recuperação lenta da economia. A estimativa média de 13 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data aponta para um crescimento de 1,3% do indicador no ano passado, que será divulgado hoje pela autoridade monetária.

As estimativas têm pouca dispersão, indo de 1,2% a 1,4%. Para o resultado de dezembro, a projeção média é de estabilidade em relação a novembro, no cálculo já dessazonalizado. Já na comparação com dezembro de 2017, os analistas também esperam, na média, estabilidade.


A última vez em que o IBC-Br ficou acima do número estimado para o ano passado foi em 2013, quando teve alta de 2,9%. Nos três anos seguintes, o índice caiu, acumulando recuo de mais de 8% ao longo desse período. Foi somente em 2017 que o indicador voltou a crescer, registrando expansão de 1,06%.

Com metodologia distinta do Produto Interno Bruto (PIB), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IBC-Br é estimado com base em indicadores setoriais de agricultura, indústria, comércio e serviços. Em 2017, os dois índices de atividade tiveram desempenho praticamente idêntico - o PIB cresceu 1,1%.

No ano passado, o varejo restrito teve expansão de 2,2%. Já o ampliado, que conta com veículos e material de construção, subiu 5%. A produção industrial também teve alta, de 1,1%. No período, somente os serviços, responsáveis por aproximadamente dois terços da atividade econômica pelo lado da oferta, destoaram, recuando 0,1% no período. Foi o quarto ano seguido de queda do setor.

"A economia está sem nenhuma fonte de dinamismo", diz Christian Thorgaard, economista da consultoria Parallaxis. Ele calcula uma queda de 0,3% do IBC-Br entre novembro e dezembro, sempre no cálculo dessazonalizado. Caso o resultado se confirme, o indicador terá crescido 1,2% anualmente, pouco acima da expansão prevista para o PIB, de 1,1%.

Segundo Thorgaard, a indústria vem enfrentando dificuldades desde o início da crise na Argentina, em meados do ano passado. Já o crescimento do varejo tem sido limitado pela alta informalidade do mercado de trabalho, o que dificulta o acesso ao crédito. Ele diz que os segmentos que vêm puxando a retomada do comércio são os de primeira necessidade, ligados à renda, e não ao crédito, como supermercados e artigos farmacêuticos. "E os serviços vêm andando de lado, por serem um pouco reféns dos outros setores", diz.

Dessa maneira, a Parallaxis calcula que a herança estatística do IBC-Br para 2019 será de 0,4%. Isso significa que, se ao longo de todo o ano que vem o indicador permanecer no mesmo patamar de dezembro, haverá alta de apenas 0,4% em relação a 2018.

Para este ano, a consultoria espera crescimento de 2% do PIB e de 2,2% do IBC-Br. "Somos bastante céticos a respeito de a atividade ganhar tração", diz.

Sobre o desempenho em dezembro do IBC-Br, o crescimento na comparação com novembro deve ter sido de apenas 0,1%, segundo Simone Pasianotto, economista da Reag Investimentos. Para ela, o resultado foi puxado pela alta de 0,2% da produção industrial e "pelo setor agropecuário". "A melhora da confiança também deve ajudar", afirma.

Em relatório, a Guide Investimentos também destaca os impactos de "indicadores recentes de exportação e rendimento da colheita" agrícola sobre a atividade no último mês do ano passado. A estimativa é a mesma da Reag, de crescimento de 0,1%. Para 2018, por sua vez, a Guide projeta expansão de 1,2% do PIB.

Ontem, a 4E Consultoria revisou para baixo as suas projeções para o PIB do ano passado e deste ano. Para 2018, a estimativa passou de 1,3% para 1,1%, em função de dados de atividade mais fracos do que o esperado no quarto trimestre. Já projeção para 2019 caiu de 2,3% para 1,9%, por causa da menor herança estatística que a atividade deixará neste ano, na avaliação da consultoria. (Colaborou Hugo Passarelli)

Voltar

Empresas Associadas

Canais Sociais |
Mapa do Site      
Copyright 2019 - Instituto Aço Brasil