Crédito deve impulsionar vendas de veículos
07/12/2018

DCI
Juros baixos e inflação menor levaram ao avanço dos financiamentos de forma significativa no fim deste ano, situação que pode persistir em 2019, mas exportações em queda ainda preocupam

RICARDO BOMFIM • SÃO PAULO

Publicado em 07/12/18 às 05:00

A oferta de crédito cresceu no fim de 2018 e, para executivos de montadoras, deve impulsionar as vendas de carros no ano que vem. Contudo, a crise na Argentina pode manter em baixa os números das exportações no período.

Segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Megale, o crédito está interessante e os bancos estão com mais apetite. Em outubro, a oferta pelas grandes instituições financeiras para veículos novos e usados foi de R$ 11,2 bilhões, alta de 21,74% em relação ao mesmo período do ano passado, quando atingiu R$ 9,2 bilhões. “Boa parte dos carros é financiada e não se espera muita alteração na política monetária do novo governo. Devemos ter um ambiente de negócios melhor e o crédito irá acompanhar”, afirma.

O dirigente acredita em um avanço no setor com a realização das reformas macroeconômicas propostas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro. “Se houver reforma tributária e da Previdência, além de enxugamento do gasto público, teremos um ambiente de negócios mais favorável e um fluxo de investimentos em direção ao Brasil, uma vez que há muita liquidez disponível no mundo todo”, defende.

Já o diretor executivo da Anfavea, Aurélio Santana, conta que a participação dos financiamentos nas compras de veículos passou de 48% em novembro de 2017 para 50,8% no mês passado. “Estão caindo os juros e a inadimplência, então o crédito para financiamento de veículos voltou a ser um bom negócio”, avalia.

As expectativas do setor também são altas para as vendas de caminhões, muito sensíveis ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Fora as projeções de que a economia deva avançar com mais vigor no ano que vem, os executivos do setor também imaginam que 2019 será propício para este segmento por conta da renovação de frota. Há muitos caminhões circulando, hoje, com mais de um milhão de quilômetros rodados, segundo a Anfavea. “Estamos conversando com o próximo governo sobre um programa de renovação da frota. Temos boas perspectivas”, destaca Megale.

Exportações
Em 2018, o calcanhar de Aquiles do setor automotivo foram as exportações. Enquanto o licenciamento total de veículos chegou a 2,33 milhões de janeiro a novembro, registrando uma alta de 15% sobre as vendas no mesmo período do ano anterior, as exportações não passaram de 597,3 mil no acumulado do ano, valor 15,3% inferior ao registrado em 2017.

Para 2019, os prospectos não parecem melhorar muito. Megale admite que as projeções de chegar a 700 mil veículos exportados em 2018 estão cada vez mais longe de serem cumpridas devido à queda continuada do mercado argentino. “Não podemos ter boas expectativas enquanto a crise na Argentina não for equalizada. Temos um acordo com o México que deve ir para o livre comércio no ano que vem, mas a situação lá também não está tão propícia”, lamenta.

De janeiro a novembro de 2018, foram vendidos 412 mil veículos à Argentina, contra 490 mil em 2017. Já para o México, que é o segundo maior mercado consumidor do Brasil no setor automotivo, as vendas ficaram em 47,5 mil, queda de 44% na comparação anual.

Nesse cenário de fraqueza nas exportações, a solução de abrir novos mercados torna-se uma esperança dos executivos. Megale destaca que a política econômica do futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes, envolve uma intenção de abertura maior da economia, mas gradual e seguindo o aumento de competitividade da indústria brasileira. “É bom que um dia possamos nos integrar às cadeias globais para sairmos de uma situação em que o máximo do nosso mercado consumidor são pouco mais de três milhões de veículos anuais para acessar a demanda de 90 milhões que existe no mundo”, pondera o dirigente. Ele ainda crê que as metas de poluição serão mantidas e que Bolsonaro não deve tirar o Brasil do Acordo de Paris.

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