Produção de aço deve fechar 2018 com nível recorde
06/12/2018

Valor Econômico
Mesmo em um ano com avanço tímido do PIB, greve dos caminhoneiros e guerra comercial no cenário internacional, a indústria siderúrgica brasileira deve encerrar 2018 com desempenho positivo, projetando continuidade do crescimento para 2019.

O Instituto Aço Brasil atualizou ontem as projeções para o setor siderúrgico brasileiro neste ano, apontando que a produção de aço bruto deve subir 3,8%, a 36,1 milhões de toneladas, abaixo da estimativa de crescimento de 4,6% apontada em julho. Mesmo assim, o número deve ser recorde histórico para o segmento, passando pela primeira vez do patamar das 36 milhões de toneladas.

"O ano de 2018 era um ano sobre o qual se tinha uma expectativa de retomada na economia e no próprio setor", afirmou Marco Polo de Mello Lopes, presidente do Instituto Aço Brasil, em entrevista coletiva. "A chamada crise dos caminhoneiros foi um divisor de águas para o desempenho de todos os setores. Especificamente para a siderurgia, essa crise fez com que tivéssemos que paralisar 16 altos-fornos. Foi uma pancada no setor"

As vendas internas de aço devem avançar 8,9% no acumulado de 12 meses, para 18,8 milhões de toneladas, na comparação com 2017. Em julho, a expectativa era de crescimento de 5,5%, para 18,2 milhões de toneladas.

O consumo aparente deve encerrar 31 de dezembro com alta de 8,2%, para 21,1 milhões de toneladas. A projeção anterior apontava avanço de 5,3%, para 20,6 milhões de toneladas.

Principal consumidora de aço no país, a construção civil deve fechar 2018 com queda de 0,7% em consumo aparente. O setor representou 34,1% do total da siderurgia no ano passado.

O dado revisa para baixo a estimativa da entidade, que, em julho, projetava alta de 1,5% para a construção. Para 2019, a expectativa é de crescimento entre 1% e 2,5%. A justificativa é o "apagão das canetas", como é chamada a dificuldade de aprovação de projetos pelo temor dos servidores de serem responsabilizados legalmente.

O recuo deve ser compensado pelo crescimento do consumo aparente do setor automotivo, que deve avançar 11,1%, puxado pelo crescimento de 13,7% do aço destinado aos automóveis voltados para o mercado nacional.

A projeção para o consumo de aço destinado às exportações do setor automotivo é de recuo de 8,6%. Para o ano que vem, a indústria automobilística deve consumir 9% a mais.

Em máquinas e equipamentos, o consumo deve fechar o ano em alta de 7,7%, abaixo dos 10% projetados em julho. Para 2019, a projeção é de alta de 10%.

Nas negociações com o mercado internacional, o Aço Brasil apontou que as exportações do setor devem registrar queda de 7,2%, para 14,2 milhões de toneladas, recuo maior que os 0,6% esperados em julho, afetadas pelos efeitos da guerra comercial liderada por Estados Unidos e China. As importações devem crescer 2,6%, para 2,4 milhões de toneladas, ficando também abaixo da expectativa divulgada no início de semestre, que apontava incremento de 5,3%.

Para o próximo ano, as vendas domésticas de aço pelas usinas locais devem avançar 5,8%, a 19,9 milhões de toneladas. De acordo com a entidade, o consumo aparente deve avançar 6,2% em 2019, para 22,5 milhões de toneladas. 

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