Gerdau vê país em 2019 com otimismo
08/11/2018

Valor Econômico
 Após registrar no terceiro trimestre o melhor resultado operacional dos últimos dez anos, embalada principalmente pelo desempenho no Brasil e na América do Norte, a Gerdau está otimista quanto às perspectivas de negócios em 2019 e com o novo governo brasileiro. As duas principais operações da siderúrgica, disse o presidente Gustavo Werneck, devem se beneficiar do crescimento econômico e do impacto de medidas governamentais tanto no país quanto nos Estados Unidos, e a companhia está preparada para elevar a oferta se houver necessidade.

Ao mesmo tempo, a Gerdau manteve a previsão de investimentos de R$ 1,2 bilhão em 2018 - o orçamento do próximo ano está sendo elaborado neste momento - e informou que encerrou o programa de venda de ativos, que rendeu mais de R$ 7 bilhões desde 2014, concentrando-se a partir de agora nas operações com maior rentabilidade nas Américas.

"Esperamos que o presidente eleito busque melhorar a competitividade do país. As indústrias do aço e da transformação são estratégicas para a retomada do crescimento", disse o executivo. No Brasil, a expectativa é que o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), implemente as reformas da Previdência e tributária, o que pode levar a um ciclo de crescimento mais intenso. Os primeiros sinais nesse sentido são positivos, conforme Werneck. "[2019] tem tudo para ser um ano melhor e a Gerdau está preparada para retomar a operação em unidades foram hibernadas", afirmou.

Na operação brasileira, a taxa de ocupação das unidades está em 72% e há ativos parados na Bahia e no Paraná. À medida que o consumo aumente no mercado doméstico, a siderúrgica tem condições de elevar a oferta "no curtíssimo prazo", sem comprometer as exportações. Em outras unidades, há ainda a possibilidade de aumentar o número de turnos. Por outro lado, a pressão de custos proveniente das matérias-primas vista neste ano deve perdurar ao longo do ano que vem.

Para a América do Norte, a perspectiva também é positiva no ano que vem, com expansão da economia, baixa taxa de desemprego e maior demanda da indústria e da construção. "Vemos investimentos em novas capacidades também, o que deve gerar aumento da concorrência interna", ponderou Werneck. Quanto ao governo Trump, a percepção é que o próximo foco será o desenvolvimento de um plano de investimentos em infraestrutura, que deve se refletir em maior consumo de aço.

Sobre o mercado de aço global, a previsão no geral é otimista, com alta de 1,4% na demanda conforme projeção da World Steel Association (Worldsteel). O crescimento deve ser alavancado pela retomada de investimentos e melhoria de desempenho de economias emergentes, apesar do ambiente de tensões comerciais, comentou o executivo.

De acordo com Werneck, o conjunto de resultados no terceiro trimestre, com destaque para o melhor resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) desde 2008 e o terceiro melhor da história, confirmam que a estratégia adotada pela companhia tem sido acertada. "Dá a certeza quanto à estratégia de ampliar rentabilidade das operações e reduzir os indicadores de endividamento, com uma gestão bastante austera dos custos".

Além da melhora dos preços internacionais do aço, o câmbio desvalorizado contribuiu para o desempenho positivo. Na América do Norte, o desafio lançado no início do ano era alcançar margem Ebitda de dois dígitos, o que ocorreu no intervalo, com a expansão do indicador de 6% para 10,5%. No Brasil, a melhora da demanda doméstica, sobretudo com a retomada da indústria automobilística, contribuiu para os resultados.

A siderúrgica teve lucro líquido de R$ 790,5 milhões no trimestre, 5,4 vezes acima do resultado apurado um ano antes. Considerando ajustes por itens não recorrentes, o ganho foi de R$ 998 milhões, quase sete vezes mais que os R$ 145 milhões registrados um ano antes e o melhor desde 2008. O lucro operacional antes da linha financeira e impostos mais que dobrou, para R$ 1,27 bilhão. A margem bruta, por sua vez, passou de 10,3% há um ano para 14,5%, uma vez que o aumento da receita líquida por tonelada comercializada mais que compensou o aumento do custo por tonelada vendida.

A receita líquida trimestral subiu 35,5%, para R$ 12,84 bilhões, ao mesmo tempo em que os custos subiram em ritmo menor (29%), para R$ 10,97 bilhões. A receita consolidada foi impulsionada pela maior receita líquida por tonelada em todas as unidades de negócio, na esteira dos preços internacionais superiores do aço.

A produção de aço bruto, porém, recuou 2,3%, para 3,97 milhões de toneladas, enquanto as vendas caíram 4,6%, a 3,69 milhões de toneladas, refletindo a venda da operação no Chile e a parada para manutenção do alto-forno 2 em Ouro Branco (MG).

O Ebitda ajustado alcançou R$ 2,01 bilhões, alta de 72,6%, com margem Ebitda de 15,7%. Ao fim do trimestre, a dívida líquida da Gerdau estava em R$ 14,72 bilhões, frente a R$ 15,17 bilhões três meses antes. A alavancagem financeira medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado caiu 0,5 vez, para 2,2 vezes, o melhor indicador desde 2012.

Voltar

Empresas Associadas

Canais Sociais |
Mapa do Site      
Copyright 2015 - Instituto Aço Brasil