Indicadores sugerem recuperação industrial
12/07/2018

Valor Econômico
Alguns indicadores de atividade econômica recuperaram em junho a forte queda do mês anterior, superando até os níveis do período anterior à greve dos caminhoneiros, o que provocou revisões para cima na estimativa da produção industrial de junho. Com isso, a perspectiva para o segundo trimestre, antes muito negativa, também melhorou.

Esta semana, a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) informou que o fluxo de veículos nas estradas aumentou 13,6% em junho, ante maio, feito o ajuste sazonal.

Em maio, houve queda de 15% na comparação com abril. A movimentação de veículos leves subiu 3,4% ante maio e a de pesados aumentou de 47% no mesmo período, de acordo com a entidade.Segundo Thiago Xavier, analista da Tendências Consultoria, que elabora os dados para a associação, no índice dos veículos pesados, a expansão de junho é maior que a contração observada em maio, na série dessazonalizada. "A ponto de trazer o fluxo de pesados a níveis semelhantes aos observados em 2013 - ano em que a situação macroeconômica era favorável", observou.

Já a Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO) informou que a expedição de caixas, acessórios e chapas de papelão ondulado cresceu 34% na comparação com maio, feito o ajuste sazonal, para 323,903 mil toneladas, o maior volume da série histórica.

"O resultado aparentemente favorável reflete principalmente a recomposição da expedição após a greve dos caminhoneiros", disse Aloisio Campelo, superintendente de estatísticas públicas do Ibre-FGV, que elabora o dado. No segundo trimestre, a expedição ficou estável em relação ao primeiro.

Na semana anterior, a Anfavea (que reúne as montadoras) já havia informado aumento de 37% na produção de veículos e comerciais leves e de 48% na de caminhões e ônibus, em junho também na comparação com maio, com ajuste sazonal. A Fenabrave (que reúne as concessionárias) divulgou alta de 6,8% nas vendas no período.

"A indústria já caiu menos que o esperado em maio e esses indicadores coincidentes subiram além do que se esperava em junho. Eles apontam uma recuperação mais rápida na produção", afirmou o economista Rodrigo Nishida, da LCA Consultores. A consultoria estima que, após a queda de 10,9% em maio ante abril, feito o ajuste sazonal, a produção industrial brasileira vá aumentar 14% em junho ante maio e 4,5% em relação a junho do ano passado. Antes, a expectativa era de alta de 10,3% no mês e de 0,2% ante junho de 2017.

Para Nishida, ainda falta a divulgação de outros indicadores tanto de indústria quanto de comércio e serviços, mas neste momento a leitura é de que o cenário é menos negativo do que aquele desenhado no período imediatamente após a greve. "Os efeitos da restrição de oferta estão sendo compensados e na totalidade. O efeito líquido é negativo, mas menos do que imaginávamos".

O economista ponderou que é preciso ter cautela ao interpretar as variações mensais, pois a greve também aumentou a volatilidade de indicadores que geralmente já têm essa característica.

Outras consultorias e bancos também revisaram a estimativa da indústria para cima. O Itaú elevou a projeção para alta de 12% em junho ante maio, ante aumento de 10,9% estimado antes. Essa revisão deve-se ao dado da ABCR. Para o Bradesco, o avanço do fluxo de veículos pesados e outros indicadores coincidentes já conhecidos indicam retomada da produção industrial em junho, revertendo a forte queda observada em maio.

O Santander, que estimava alta de 8% da indústria em junho ante maio, revisou o dado para ganho de 11,8%, feito o ajuste sazonal, implicando queda de 0,7% no segundo trimestre, em relação ao primeiro, em vez da queda de 4,1% estimada anteriormente.

A MCM Consultores espera forte alta de 14,3% na produção de junho ante maio. Em relatório, a casa comentou que o fluxo de veículos pesados foi impulsionado pelo escoamento de cargas represadas pela greve. "O índice não só reverteu a queda de maio, como ultrapassou o patamar de abril, registrando o maior nível da série com ajuste sazonal desde março de 2015. Na média móvel trimestral, registrou incremento de 2,1%, ante retração de 9% há um mês", observou.

Rodrigo Nishida, da LCA ponderou que, retomada a oferta, a preocupação maior agora é quanto à demanda. Isso porque a greve contribuiu para derrubar a confiança de consumidores e empresários, que já vinha enfraquecida pela recuperação mais lenta que a esperada na economia. "A questão é como a demanda vai reagir", afirmou. Ele apontou o dado da Fenabrave (que reúne as concessionárias de veículos) que considera preocupante. "Houve melhora na margem, mas na comparação anual as vendas foram iguais a maio. Pode ser que a Copa do Mundo tenha afetado as vendas", disse.

O comércio em geral parece ter sido menos afetado pela greve, por causa de seus estoques. "Os dados relacionados ao varejo foram menos afetados e a volta será menos expressiva", afirmou Nishida. Amanhã o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) de maio. Na média das estimativas coletadas pelo Valor Data, as vendas do varejo restrito caíram 0,8% em maio ante abril e as do ampliado (inclui veículos e materiais de construção) recuaram 3,1%.

A Serasa Experian, que estimou queda 2,3% nas vendas de maio, ante abril, informou ontem que as de junho cresceram 3,4%, na série com ajuste sazonal. A projeção equivale ao varejo ampliado. Houve ganho em quatro de seis categorias pesquisadas pelo birô de crédito. A de combustíveis e lubrificantes, a mais afetada pela greve, subiu 9,9%. Tomando esse e outros indicadores, o Itaú estima que as vendas do varejo restrito devem ter caído 0,6% no mês passado, mas subiram 0,9% no ampliado. Para a PMC de maio, o banco estima queda de 1% no restrito e de 3,2% no ampliado, feitos os ajustes sazonais. (Colaboraram Stella Fontes e Rodrigo Rocha) 

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