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Programa da Gerdau já treinou 378 companhias
18/12/2013 | Valor Econômico

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O serralheiro Paulo Viana, proprietário da EsquadriSul, na cidade gaúcha de Gravataí, contabiliza um faturamento de R$ 1,2 milhão em 2013. Viana considera esse um bom desempenho para a empresa fundada por seu pai em 1972 e que há apenas três anos contava com rês funcionários e faturava R$ 360 mil por ano com a venda de esquadrias, portões, portas e grades para residências e pequenas empresas.

Hoje, pelo menos 50% do trabalho realizado pelos nove colaboradores da EsquadriSul, é resultado de negócios com construtoras e grandes empresas da região e envolve encomendas de estruturas metálicas de até 30 metros de largura. Esses avanços têm a ver com capacitação. Entre 2010 e 2013, Viana realizou uma série cursos de capacitação no Sebrae, promovidos pela Gerdau.

"Sou serralheiro desde meus 14 anos, mas pouco entendia sobre a gestão do negócio", afirma o empreendedor.

Viana, com quase 40 anos, administra a empresa desde 2006. Mas foi nos cursos da Gerdau que aprendeu sobre fluxo de caixa, planejamento e qualidade da produção, análise de resultados, normas regulatórias, treinamento e motivação da equipe, técnicas de compra, venda e marketing. "Hoje uso a internet como ferramenta de vendas, faço anúncios no Google e o meu caminhão de serviço só roda adesi-vado com a^propaganda da ser-ralheria", afirma.

Viana é um dos nove mil profissionais de 378 pequenas e médias empresas do Brasil, Chile, Peru e Uruguai que fazem parte da cadeia de fornecedores e clientes da Gerdau e passaram nos últimos três anos pelos cursos de capacitação técnica e gerencial promovido pela siderúrgica em parceria com a Agência de Cooperação Técnica Internacional da Alemanha (GIZ). No total, foram investidos pelas duas instituições € 3 milhões em 320 mil horas de cursos e em consultorias promovidas em parceria com instituições como Sebrae, Senai, e ONGs como a Aliança Empreendedora.
José Paulo Soares Martins, diretor do Instituto Gerdau: meta para 2014 é oferecer cursos para 500 clientes e fornecedores no Brasil e mais seis países

A parceria encerra-se agora em dezembro, mas a Gerdau decidiu dar continuidade ao projeto sozinha. José Paulo Soares Martins, diretor do Instituto Gerdau, informa que a meta para 2014 é oferecer cursos de capacitação para 500 clientes e fornecedores no Brasil, Uruguai, Argentina, Peru, México, Venezuela e Colômbia.

"A GIZ tem como estratégia não renovar seus contratos e buscar novos parceiros para seus programas, mas nós estamos satisfeitos com os resultados alcançados e vamos dar continuidade ao projeto junto a nossa cadeia produtiva", afirma.

O programa de capacitação da Gerdau é dividido em quatro projetos destinados para públicos específicos. Há o Projeto Ser-ralheria, do qual Paulo Viana, da EsquadriSul, participou, e o Aprimorar Construção Civil, os dois voltados para a capacitação de profissionais e empreendedores usuários de aço.

Há também os projetos Reciclagem Inclusiva e o Programa de Desenvolvimento de Fornecedores de Sucata — esses dois atendendo principalmente fornecedores de sucatas ferrosas utilizadas no processo produtivo da companhia siderúrgica.

Segundo Martins, ao melhorar a capacidade técnica e gerencial de seus fornecedores a Gerdau ganha competitividade ao receber insumos separados e processados mais adequadamente, portanto de melhor qualidade, e com preços mais competitivos. "Em média, os fornecedores de sucatas que participaram do programa aumentaram em 150%
suas vendas para a Gerdau", diz.

O programa também apoiou a formalização de empreendimentos, que se qualificaram para atender a siderúrgica. Em Chimbote, no Peru, onde a Gerdau opera desde 2006 uma usina privatizada, a contratação de fornecedores de manutenção e limpeza locais era praticamente impossível, uma vez que a cidade não contava com empresas de serviços formalizadas. "Antes tínhamos que buscar fornecedores em outras localidades, agora são locais", diz o executivo.

Ao aprimorar a capacitação de seus clientes de pequeno e médio portes, afirma Martins, a Gerdau amplia seus negócios. "Quando meu cliente vende mais eu também vendo mais", diz Martins. É o que ocorre com a serralheria Comfer, de Viamão, no Rio Grande do Sul. A empresa fundada pelo ex-metalúrgico Valdomiro dos Santos em 1987, faturou R$ 70 mil em 2009. Em 2013, deve chegar próximo de R$ 140 mil. O dobro, mas poderia ser ainda mais. "Tenho pelo menos R$ 200 mil em negócios em aberto, consultas realizadas que devem se tornar vendas nos próximos meses", diz Santos.

"Hoje tenho um produto de melhor qualidade. Nada é entregue ao cliente sem passar antes por uma inspeção prévia, aumentando a satisfação com os produtos. Além disso, gerencio melhor as compras com os fornecedores e elaboro um orçamento mais preciso para os clientes", diz, A Gerdau avalia que aumentou em 200% suas vendas para os seus pequenos e médios clientes que participaram do projeto de capacitação.

Curso aumenta a renda de catadores de recicláveis
De São Paulo
A renda dos 34 membros da associação de catadores Reciclar Araucária saltou em média de RS 500,00 mensais para R$ 1.200,00 nos últimos dois anos. O ganho foi gerado por um acordo com a Prefeitura de Araucária, no Paraná, que passou a destinar para a associação processar e comercializar todo o lixo reciclável recolhido no município. Além de um maior volume de materiais para trabalhar, a associação melhorou os resultados da comercialização com os compradores de sucata da região, por meio de uma pesquisa para detectar os melhores preços.

Nos últimos dois anos, Geane Marisa Borges, a presidente da Reciclar Araucária, e outros sete membros da associação, participaram de uma série de cursos do projeto de capacitação Reciclagem Inclusiva, promovido pela Gerdau em parceria com a Agência de Cooperação Técnica Internacional da Alemanha (GIZ). O projeto fornece treinamentos técnicos e gerenciais para organizações de catadores no Brasil, Uruguai, Peru e Chile.
Segundo Geane, além de comercializar melhor os materiais, a associação agora faz a prestação de contas para seus membros e também promove uma maior participação de todos na gestão. Outra inovação foi a introdução da nota fiscal eletrônica nas suas transações. "A associação começou há 15 anos com 30 catadores, mas foi perdendo associados. Hoje voltamos a crescer e já somos em 34", diz.

A estrutura também avançou. "Começamos em um galpão sem equipamento algum e agora temos duas esteiras, cinco prensas,
dois elevadores e três fornos elétricos", afirma Geane.

No Brasil, os cursos do Reciclagem Inclusiva são realizados pela ONG Aliança Empreendedora, que já treinou 250 pessoas de 14 organizações de catadores em São Paulo, Rio, Curitiba, Minas, Pernambuco e Rio Grande do Sul. João Roque da Silva Neto, diretor da Aliança Empreendedora, diz que os cursos são voltados para três áreas: gestão, produção e comercialização.

Os cursos de gestão envolvem técnicas de fluxo de caixa, controle financeiro, com aulas sobre como prestar contas aos associados e
constituir um conselho fiscal, ou mesmo como formar um fundo de reserva para investimentos ou mesmo para distribuição na forma de 13 - salário no final do ano.

Na produção, a meta é aprimorar o uso de equipamentos, como prensa, e aumentar a segurança no trabalho.Já o treinamento em comercialização visa o entendimento da composição de preços e técnicas de vendas, com a pesquisa das melhores ofertas de preços entre os sucateiros de cada material reciclável, como metal, plástico, vidro e eletrônicos. "Os resultados são bastante distintos em cada organização de catadores, mas em todas houve um notório aumento de renda e um ganho de autoestima dos cooperados", diz Roque Neto.

José Paulo Soares Martins, diretor do Instituto Gerdau, diz que o fim da parceria com a GIZ em dezembro não representa o fim do projeto Reciclagem Inclusiva. A companhia já definiu que dará continuidade sozinha ao projeto de capacitação atendendo 500 pequenos e médios fornecedores e clientes em 2014, mas ainda não detalhou as metas para o Reciclagem Inclusiva. (DZ)
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