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Anfavea analisa rever previsão de produção neste ano

O impacto provocado pela crise argentina nas exportações de veículos tem sido maior do que esperavam os fabricantes. Isso tende a, consequentemente, levar a uma perda de produção acima do calculado pelo setor.

Segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Carlos Moraes, nos próximos dias a entidade vai analisar a possibilidade de rever a previsão de produção para este ano.

Em janeiro, a Anfavea anunciou que calculava, para 2019, um crescimento de 9% no volume de veículos produzidos na comparação com o ano anterior, quando foram fabricadas 2,87 milhões de unidades. Segundo Moraes, a estimativa inicial já foi calculada prevendo a crise no país vizinho. "Mas esperávamos que o impacto fosse menor", disse.

De janeiro a maio foram exportados 181,5 mil veículos, uma queda de 42,2% na comparação com os primeiros cinco meses de 2018. Desse total, 107 mil unidades seguiram para o mercado argentino. No mesmo período de 2018, foram enviados ao país vizinho 233 mil veículos produzidos no Brasil. Há um ano, as montadoras embarcavam para a Argentina, em média, 45 mil veículos por mês. O volume caiu à menos da metade.

A Argentina continua a ser o principal mercado externo para as montadoras. Mas sua participação está em declínio. Era de 76% no acumulado até maio de 2018 e passou para 59% no mesmo período deste ano. Na mesma base de comparação, a fatia do México, o segundo maior mercado, subiu de 7% para 13%. Também aumentaram a participação a Colômbia (de 3% para 9%) e o Chile (de 5% para 7%).

No mês passado, o mercado de veículos novos manteve ritmo de expansão, o que ajudou a compensar as perdas com exportação. Em maio foram licenciados no país 245,4 mil veículos, o que representou crescimento de 21,6% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

A Anfavea aponta a oferta de crédito, que aumentou 21% em um ano, como justificativa da expansão das vendas no mês passado. Soma-se a isso a venda direta de veículos para grandes frotistas, como locadoras. Além disso, em maio de 2018, o movimento em toda a atividade econômica do país encolheu por conta da greve dos caminhoneiros.

No acumulado dos primeiros cinco meses do ano, no entanto, a expansão das vendas foi menor. O licenciamento de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus no período somou 1,08 milhão de unidades, uma alta de 12%.

Foram produzidos no mês passado 275,7 mil veículos, o que representou um avanço de 29,9% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Já no acumulado do ano, o crescimento foi menor. Com total de 1,24 milhão de unidades, a alta foi de 5,3%.

Para o presidente da Anfavea,, os resultados positivos do setor automotivo se devem também a um longo processo de recuperação, que começou há dois anos, depois de uma retração de mais de 40% entre 2015 e 2016.

Ao divulgar o desempenho do setor, ontem, Moraes reclamou da necessidade de o país fazer uma simplificação tributária e burocrática. A Anfavea calcula gasto anual, no setor, de R$ 2,3 bilhões só com o que chama de custo burocrático-tributário. Trata-se de valor maior que o total de R$ 1,5 bilhão previsto com pesquisa e desenvolvimento no programa Rota 2030. "Ou acabamos com esse sistema tributário ou ele acaba com o Brasil", disse Moraes, que chamou o quadro de "manicômio tributário".

O dirigente citou o exemplo do processo de importação de airbag, item obrigatório nos veículos. As etapas para a entrada do equipamento no país somam 15 passos burocráticos de requerimentos. Segundo o dirigente, concluir o processo todo pode levar até 50 dias.