• +55 (21) 2524-6917 | eventos@acobrasil.org.br

Indústria perde 17 mil empresas e corta 1,3 milhão de vagas em 4 anos

O Produto Interno Bruto (PIB) industrial foi negativo por quatro anos consecutivos, entre 2014 e 2017, período em que o setor cortou 1,33 milhão de empregos e fechou 17 mil empresas (saldo entre aberturas e fechamentos). O grave quadro de crise do setor foi traçado pela Pesquisa Industrial Anual (PIA) de 2017, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A pesquisa, que considera apenas o mercado formal, mostra que as indústrias ocupavam 7,7 milhões de pessoas no fim de 2017, o menor patamar desde 2007 (7,457 milhões). Na comparação ao ano imediatamente anterior, a queda foi relativamente mais amena, com a perda de 45 mil postos.

Outras pesquisas do IBGE mostram que o quadro de vagas não melhorou na indústria no ano passado. Pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua, que inclui os setores foral e informal, o pessoal ocupado na indústria geral encolheu em 131 mil vagas no fim de 2018, na comparação com o fim do ano anterior.

Durante os quatro anos de crise da indústria, de 2014 a 2017, o PIB do setor acumulou baixa de 11,8%. Em 2018, voltou ao terreno positivo, com alta de 0,6%, conforme dados do IBGE. Neste primeiro trimestre de 2019, a indústria nacional retornou ao campo negativo, com queda de 0,7% no primeiro trimestre, influenciada pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (Minas Gerais).

Segundo a pesquisa divulgada ontem, a indústria de transformação continua líder em emprego, respondendo por 97,5% do pessoal ocupado em 2017. Seus segmentos com maior representatividade são a fabricação de produtos alimentícios (23,3%) e a confecção de artigos do vestuário e acessórios (8,2%). Nas indústrias extrativas, as maiores participações são na extração de minerais metálicos (41,4%) e não metálicos (41,1%).

Já a receita líquida das empresas do setor industrial atingiu R$ 2,97 trilhões em valores correntes em 2017, o que representa crescimento de 1,8% em relação ao ano anterior. Apesar de positivo no curto prazo, a receita segue 7,7% abaixo da registrada há quatro anos, com destaque para a queda mais intensa nas indústrias extrativas (-16,9%).

O instituto detalhou ainda que 69,6% da receita líquida do setor estava nas mãos de companhias de grande porte, ou seja, com 500 ou mais funcionários. Isso equivalia a R$ 2,1 trilhões em valores correntes de receita. Essa proporção não era muito diferente uma década atrás, quando estava em 69,4%.

Os gastos do setor com pessoal alcançaram R$ 442,9 milhões em 2017, mantendo-se estável frente ao ano anterior. No total, os custos de despesas das empresas industriais foi de R$ 3,11 trilhões em 2017, sendo a principal despesa com matérias-primas e componentes (R$ 1,2 trilhão)

O levantamento abrange um universo de 318.285 empresas ativas, com uma ou mais pessoas ocupadas. No fim de 2013, esse universo era maior, formado por 334.976 empresas.

No detalhamento por produto, a pesquisa identificou que cem bens industriais concentraram mais da metade (53%) da receita de vendas do setor industrial do país em 2017. Essa concentração era um pouco menor (52,5%) no ano anterior.

O óleo diesel permaneceu como o produto de maior valor de vendas na indústria naquele ano: foram R$ 63,7 bilhões, o equivalente a 2,8% no total nacional em 2017. Em meados daquele ano, a Petrobras iniciou sua política de preços de reajuste quase diário do combustível, refletindo as cotações internacionais.

Logo a seguir como maior valor de vendas aparecem os óleos brutos de petróleo (2,6%), seguidos por minério de ferro (2,6%) e automóveis (2,1%). Somados os quatro produtos, eles representaram 10,1% do total de vendas da indústria, considerando um universo de 3.400 produtos que faturaram R$ 2,3 trilhões em 2017.

Regionalmente, o perfil de produtos com maior peso na indústria era bastante diferente. No Estado de São Paulo, mais diversificado, 17,3% da produção era concentrada em alimentos.