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IBC-Br caiu 0,29% em fevereiro, estimam analistas

Com fracos indicadores de atividade deste início de ano, a economia brasileira deve ter recuado pelo segundo mês consecutivo em fevereiro. Projeções de 26 consultorias e instituições financeiras levantadas pelo Valor Data apontam, na média, para um recuo de 0,29% do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) no mês, pela série ajustada, na comparação com janeiro.

O intervalo das estimativas, que estão em sua maioria no campo negativo, vai de redução de 1% a aumento de 0,6%. O indicador, que tenta se aproximar da variação mensal do Produto Interno Bruto (PIB), será divulgado hoje.

Na comparação a fevereiro de 2018, a média das projeções é de alta de 2,87%. Nesse caso, o indicador sofre influência positiva do deslocamento do feriado do carnaval em março, o que aumentou neste ano em dois dias úteis o calendário de fevereiro.

Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deram o tom da perda de fôlego da recuperação no mês. Na passagem de janeiro para fevereiro a receita real do setor de serviços encolheu 0,4% e as vendas do varejo ficaram estáveis pelo conceito restrito e caíram 0,8% pelo conceito ampliado. A indústria, em contrapartida, teve alta de 0,7%.

Em janeiro, o IBC-Br diminuiu 0,41% na comparação a dezembro, feitos os ajustes sazonais - dado que pode ser revisado para cima ou para baixo pelo Banco Central. Em relação a janeiro de 2018, o indicador havia mostrado alta de 0,79%.

Parte dos indicadores econômicos de fevereiro frustrou as expectativas. Analistas esperavam, por exemplo, uma avanço maior da indústria, na casa de 1,1%. Também previam um desempenho melhor dos serviços. Só o varejo surpreendeu positivamente - a expectativa era de uma pequena queda, ao invés de estabilidade.

Segundo Mauricio Nakahodo, economista do banco MUFG Brasil, os resultados de fevereiro estão ligados, em parte, ao cenário de incertezas ainda existente sobre a aprovação da reforma da Previdência e ao ritmo de recuperação da demanda. "Os empresários seguem receosos para ampliar investimentos, por exemplo. Além da confiança, a ociosidade é um fator que leva a adiar um pouco mais a retomada de investimentos", diz Nakahodo, que prevê recuo do indicador do BC de 0,2% frente a janeiro e alta de 3,4% na comparação ao mesmo mês do ano passado.

O banco prevê atualmente crescimento de 0,5% do PIB no primeiro trimestre deste ano, frente aos três últimos meses do ano passado. Nakahodo afirma que o número pode ser revisto para baixo nas próximas semanas, a depender dos primeiros indicadores referentes ao mês de março. "É preciso aguardar o desempenho da indústria, por exemplo, diante do cenário internacional e da demanda da Argentina, que foi um fator de desaceleração nos últimos meses", disse o economista.

O UBS destaca que atividade econômica permanece "sem brilho" e prevê recuo de 0,7% do IBC-Br em fevereiro, sobre o mês anterior. O banco suíço acrescenta que o PIB deverá crescer 0,3% no primeiro trimestre deste ano, frente ao quatro trimestre do ano passado. "Vemos espaço para a economia acelerar no segundo trimestre deste ano, refletindo os efeitos potenciais da reforma da Previdência e condições financeiras internas."

Na sexta-feira, o Itaú Unibanco divulgou relatório reduzindo sua estimativa de crescimento do PIB deste ano de 2% para 1,3%, citando "dados correntes mais fracos, além da percepção de um arrefecimento mais amplo da atividade à frente". Isso gerou uma revisão na expectativa da taxa dessazonalizada de desemprego para o fim de 2019, que subiu de 11,8% para 11,9%. "Observando a economia pelo lado da oferta, chama atenção o fato que a atividade industrial segue estagnada. O uso da capacidade instalada segue em patamar baixo, e a produção industrial virtualmente estável", avaliou o banco no relatório.