
Instituto Aço Brasil | 03/06/2011
No último painel do Congresso Brasileiro do Aço - 22ª edição, o ex-Ministro da Fazenda, o economista Delfim Neto acredita que o Brasil poderá crescer, pelos próximos 20 anos, a taxas entre 4,5 e 5%. “ O Brasil sempre precisou enfrentar fatores que abortavam o seu crescimento como crises de energia e dívidas. Isso é passado. Precisamos, agora, pensar no futuro e lembrar que em 2030 precisaremos gerar empregos para 150 milhões de pessoas. O País precisa pensar em si e não seguir modelos extravagantes. Temos uma grande constituição, um Supremo Tribunal Federal que nenhum outro país emergente tem e todas as condições para nos organizarmos e conseguirmos manter um crescimento razoável. Se tivermos um mínimo de racionalidade, teremos um futuro razoável. Estamos ficando mais conscientes e podemos, sem sobressaltos, crescer a taxas de 4,5 a 5% pelos próximos 20 anos. Precisamos agora é organizar o sistema político”, concluiu.
Além de Delfim, participaram do debate o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, o presidente da Câmara de Política de Gestão, Desempenho e Competitividade, Jorge Gerdau Johannpeter, e o economista Robert Shiller, com moderação do jornalista William Waack.
Para o ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Robson Andrade, o Brasil tem um grande potencial, mas as mudanças relativas a impostos e juros precisam ser adotadas com rapidez. “A determinação e a vontade dos empresários brasileiros vêm de muitos anos. Mas, esse espírito precisa chegar também aos governantes e aos políticos. As reformas são urgentes. Todos conhecemos as necessidades do País, mas há muita demora na adoção de soluções para problemas como a alta carga tributária, os juros elevados e o câmbio valorizado. Se fizermos as mudanças necessárias, o País terá um longo período de crescimento”, alertou.
Para o Presidente do Conselho de Administração da Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter que, recentemente, assumiu a presidência da Câmara de Política de Gestão, Desempenho e Competitividade do Governo, as perspectivas para o País são positivas, mas o Brasil precisa aprender a gerenciar riquezas. “O discurso que ouvimos do Presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, hoje cedo, tem uma racionalidade de objetivos que nos dá uma esperança enorme. Mas, precisamos saber onde queremos chegar. Temos, por exemplo, que aproveitar essa oportunidade única que vem com a exploração do pré-sal. E, para isso, é preciso coordenação política com uma grande responsabilidade. Afinal, a tendência é torrar o dinheiro, como fazem muitas prefeituras hoje com os recursos vindos do petróleo, e isso seria uma deseducação. É importante lembrar que já tivemos ciclos de muita prosperidade, - café, algodão e o período pós-guerra - , e agora temos uma nova oportunidade”, lembrou.
O economista e professor da Yale University, Robert Shiller, autor do livro Animal Spirits, falou sobre a última crise mundial e sobre as perspectivas para os próximos anos. “Os bancos centrais confiaram demais nos mercados e não houve liderança suficiente para restringir o movimento dos preços naquela época. Os dados do Fundo Monetário Internacional, referentes a última década, mostram que todos os países sofreram, com destaque para a Rússia e o Japão, naquele episódio. Foi uma crise maciça e global. E o mundo ainda sofre com os efeitos dessa crise refletidos em altas taxas de desemprego”, afirmou.
No caso do Brasil, Shiller se mostrou preocupado com os altos preços dos imóveis nas grandes cidades e, apesar de dizer que não tem todos os elementos para falar sobre o mercado brasileiro, alertou que a última crise mundial começou a partir do boom imobiliário nos Estados Unidos.
Fotos: www.argosfoto.com.br/sala.asp
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